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Novembro 06, 2009

OXIGÊNIO 3

FOTOGRAFADO POR RENATO PASCHOALETO

No post abaixo, Dança na Imprensa ou Imprensa na Dança, falei sobre o fotógrafo Renato Paschoaleto. Não tinha o link das fotos dele e adoro ver como a visão de cada um para uma situação é uma. É assim que se forma a informação - muitos escritos, muitas imagens, visões de ângulos diversos.

O André Fonseca, que é super antenado e rápido, enviou pra mim o link com as fotos que o Renato Paschoaleto fez do Oxigênio, terceiro encontro. É só clicar aqui.

Obrigada André.

DANÇA NA IMPRENSA

OU IMPRENSA NA DANÇA

O encontro do Oxigênio dessa semana, terceiro encontro, foi sobre a dança nos meios de comunicação. Participaram Ana Paula Sousa, jornalista de cultura e repórter do caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo; Julio Daio Borges, fundador do site Digestivo Cultural e Márcia Marques, assessora de imprensa e diretora da Canal Aberto.

O encontro foi muito interessante e em breve você poderá assistir na íntegra a gravação lá no site do André Fonseca, Cultura em Pauta.

Trouxe algumas fotos porque prefiro não escrever sobre o assunto já que em poucas palavras já vou entregar a situação, que é quase um jogo entre dança x imprensa.

Mas se estão todos ali sentados acredito que seja o primeiro passo para algo de melhor acontecer.

Parabéns pela iniciativa e tentativa de olhar para o quadro de frente, tanto da Thelma Bonavita e Cristian Duarte, Desaba, quanto do André Fonseca, Cultura em Pauta e de todos que puderam estar lá.


OXIGÊNIO - Terceiro encontro: 03/11 – tema: a divulgação da danç

OXIGÊNIO - Terceiro encontro: 03/11 – tema: a divulgação da danç

da esq. p/ dir: Thelma Bonavita, André Fonseca, Ana Paula Sousa,
Márcia Marques e Julio Daio Borges

OXIGÊNIO - Terceiro encontro: 03/11 – tema: a divulgação da danç

OXIGÊNIO - Terceiro encontro: 03/11 – tema: a divulgação da dançOXIGÊNIO - Terceiro encontro: 03/11 – tema: a divulgação da danç
Cristian Duarte e André Fonseca

OXIGÊNIO - Terceiro encontro: 03/11 – tema: a divulgação da danç

OXIGÊNIO - Terceiro encontro: 03/11 – tema: a divulgação da danç

OXIGÊNIO - Terceiro encontro: 03/11 – tema: a divulgação da danç

Renato Paschoaleto, o fotógrafo
Foto: Inês Correa


Quanto à fotografia na dança... Fica pra depois. Mas tenho algo a dizer a respeito e faço em formato de homenagem aqui logo acima e abaixo, pra bom entendedor.

Usei o termo o fotógrafo para ele, porque o Renato Paschoaleto sabe a importância de estar lá registrando compartilha o mesmo espaço sem medo com outro profissional da mesma área, fotógrafo ou fotógrafa. Assim deveriam ser todos os profissionais.

Afinal, informação deveria estar acima de tudo.

Ainda não tenho em mãos as fotos do Renato Paschoaleto do terceiro encontro, mas fiquei feliz em poder compartilhar imagens com ele nos outros. Veja aqui e aqui.

Novembro 03, 2009

SATYRAS DA DANÇA

A DANÇA VAI PARA A SATYRIANAS

Ontem, 02.11, foi o último dia da Satyrianas. Para mim começou quando fui fotografar o Dramamix e finalizou quado fui para a Residência, a mais nova tenda da Satyrianas (iniciou em 2009). Veja a íntegra do dia lá no blog da Maratona Fotomix e sobre dança na nova tenda da Satyrianas aqui mesmo.

A curadoria da tenda mudou todos os dias. Passou nas mãos de Ruy Filho que entregou o cartucho para Mario Bortolotto. No domingo, um dia inteiro musical.

Para fechar a temporada da Tenda Residência na Satyrianas, no último dia, as curadoras Helena Bastos e Rosa Hercoles trouxeram uma proposta de troca de experiências no sentido de “assumir a Semana das Satyrianas como uma ação política em dança”: Satyras da Dança.

SATYRIANAS_último dia
17h48m
Processo de Criação do Projeto Final de Dança do Curso de Comunicação das Artes do Corpo
Zélia Monteiro


SATYRIANAS_último dia
19h30m
Versos da última estação
Vanessa Macedo


SATYRIANAS_último dia SATYRIANAS_último dia SATYRIANAS_último dia

20h30m-22h00m
Médelei (eu sou brasileiro etc e não existo nunca)
Concepção e direção: Cristian Duarte
Criação e Performance: Sheila Areas, Cristian Duarte, Tarina Quelho e Eros Valério

Fotos Inês Correa

Novembro 02, 2009

AINDA TEM SATYRIANAS HOJE

MAS É O ÚLTIMO DIA.

Muitas fotos foram e continuam sendo postadas lá no blog da Maratona Fotomix. Não só as minhas mas de muitos outros fotógrafos. Hoje ainda estarei por lá. Apareçam.

Skate - Praça Roosevelt
Tem gente que gosta de competir, de tentar passar na frente do outro.
Nem sempre consegue, mesmo dando tudo de si

Skate - Praça Roosevelt

Tem os que deslizam durante o dia e não percebem quando a noite chega

SATYRIANAS_SÁBADO
Alguns preferem descer de pressa

Ines Correa_011109_4885
Outros nem tanto

SATYRIANAS_SÁBADO
Essa correu o quanto pode pra não perder nada durante a Satyrianas


Praça Roosevelt - Satyrianas, 2009
Fotos Inês Correa

Novembro 01, 2009

DE OLHO NO SATYRIANAS - 1


Sábado, 31, último dia de outubro e início do domingo, 1, primeiro dia de novembro lá na Praça Roosevelt o tempo não parou - muito movimento, loucura, e novidades. Postei as fotos lá no Fotomix. Os links estão abaixo:

Som na Caixa
O movimento nas tendas
Uma lua linda no céu acompanhou tudo
Visumix, loucuras no Satyrianas

Outubro 30, 2009

SATYRIANAS NO FERIADO


No feriado, faça chuva ou faça sol, estarei no SATYRIANAS 2009. Saia de casa também. Veja a programação completa aqui e apareça. São 78h de teatro, música, cinema, dança, literatura e artes plásticas. Quer ver minhas fotos? Quer ver muitas outras fotos? Vá até o blog do Fotomix, a única maratona fotográfica cultural do Satyrianas.

Equipe Fotomix

Organização e Curadoria: Felipe Denuzzo, Flávio Sampaio, Luciana Camargo
Coordenação: Bárbara Ablas, Gastão Guedes, Ines Correa, Ricardo Massaki e Will Prado
Fotomix: Alexandre Bigliazzi, Bárbara Ablas , Caio Henrique Siqueira, Christiano Albuquerque, Cláudia Chedid, Dani Agostini, Daniel Fuser, Diego Kuffer, Eduardo Romeiro, Felipe Denuzzo, Fernando Pilatos, Flávio Doin, Flávio Sampaio, Gaspar Nóbrega, Gastão Guedes, Giovana Pasquini, Igor Vazzoler, Ines Correa, Ivan Abujamra, Luciana Camargo, Mauricio Lopes, Marcelo Ferrelli, Nancely Humeniuck, Ricardo Lisboa, Ricardo Massaki, Sylvia Sanchez, Thais Menegathi, Vanessa Salomão, Vitor Borgheresi, Vivian Sechin, Wagner Carmo, Will Prado, Willians Moraes, Zé Carlos Barreta.
Nossa Tela:, Evandro Santos, Beatriz Natália, Carla Martins, Jonaedson Amaro, Leila Bana, Marcos Aurélio, Rogério Souza e Tiago Costa.

PORTA DE ESCOLA

TÁ LENTA!

Minha filha chegou da escola e disparou a seguinte pergunta: “Mãe, qual meu talento? Porque hoje na escola estavam fazendo uma seleção pra semana que vem e cada um tem que falar o talento que tem e minha professora falou que meu talento é fotografia porque todo mundo viu no
Catraca Livre e saiu no rádio e… mas eu não quero ter esse talento e… minha amiga vai dançar, a outra cantar e a outra… e me disseram pra fazer uma exposição das fotos e meu amigo dos desenhos dele…”

Respondi: “Calma filha, calma. A vida não é assim. Talento é uma coisa que não se tem, se constrói. Caça-talento é coisa de programa de auditório. A escola deveria se preocupar em ensinar cada um de vocês a construir, a materializar idéias. Ajudar a estudar assuntos de interesse!”. Ela parou, olhou pra mim e disse: “O quê?

Se a mãe fosse mais simples diria faça aquilo e pronto. Mas não é, então descarregou: “qual é a da escola de jogar uma proposta sem orientar? As crianças ficam achando que o sujeito é artista porque nasceu com algum dom sobrenatural. Que falta de noção e que desrespeito com quem estuda para fazer um trabalho diferenciado!”. E continuou: “Não sei o que dizer filha, ligue pro seu pai. Ele pode te ajudar”.

Ela ligou. Depois que falou com ele pediu: ”Mãe, você pode me dar as fotos que fiz pra eu levar pra escola?”. A mãe, eu, dei a ela e disse: ”Mesmo que não seja exatamente o que você quer, sei que aqui tem o resultado de alguns dias de dedicação. Vi você interessada e ocupada em fazer as fotos, ok? Foi um bom trabalho. Resultou a idéia para os outros de que é seu talento. Mas é atual, não natural.”.

Moral da escola, quer dizer, da estória: “odeio porta de escola”.

RUA AUGUSTA E AVENIDA PAULISTA Orelhão na Rua Augusta
São Paulo, 2009
Foto: Júlia Correa Bulhões

RUA AUGUSTA E AVENIDA PAULISTA
Rua Augusta vista do ônibus
São Paulo, 2009
Foto: Júlia Correa Bulhões

RUA AUGUSTA E AVENIDA PAULISTA
Rua Augusta em dia de chuva
São Paulo, 2009
Foto: Júlia Correa Bulhões

Outubro 29, 2009

ENTRE ARTES

FOTOGRAFIA E ARTE III

Ainda sobre o tema o tempo e a arte ou a relação entre as artes no tempo…
Quando escrevo imagino que o parágrafo está entre as frases como o rio entre duas partes de terra. Juntos formam o todo. Vou usar o mesmo formato para expôr minha idéia em fragmentos de texto e posts relacionados.

Contei no post Fotografia e Arte I, que na semana passada fui com a Gina Dinucci, do Encaixe, lá no Paço das Artes, lembra? E no post Fotografia e Arte II, falo sobre o livro do Jacques Aumont e a importância do passado para o presente.

Pois é, qual a relação com o que vou escrever agora? Vou tentar explicar em dois fragmentos:

Fragmento 1

Fomos assistir a palestra Projetos e Artistas, com o Milton Sogabe, professor do Instituto de Artes da UNESP, que pode ser ouvida no Canal de Projetos (paciência porque a gravação tem um áudio precário). Ouvir o Milton falar sobre a arte e o artista é muito construtivo porque ele faz com que o passado atravesse o futuro no presente. De que maneira? Quando comenta que os desenhos feitos nas cavernas não passam de… “instalações”. O tempo se perde na imagem.

Palestra do prof. Milton Sogabe (UNESP)Milton Sogabe
Paço das Artes, 2009
Foto: Inês Correa


Fragmento 2

No mesmo dia da palestra do Milton, no Paço das Artes, a Gina me apresentou a exposição da artista contemporânea Pipilotti Rist. Ainda está lá e no MIS – Museu da Imagem e do Som). A artista suíça abraça artes de todos os tempos: vídeo, fotografia, colagem, ultrassom, design. Sem preconceito ou preocupação em desvincular, Pipinotti Rist, ao contrário, transita com tranquilidade desde às artes visuais, ou não, até as artes do corpo dela ou do nosso.

Expo Pipilotti

Blood Room, 1993-98
(Quarto de Sangue)

Foto Inês Correa

Falei do corpo dela ou do nosso porque no trabalho em vídeo I couldn’t agree with you more (Eu não poderia concordar mais com você), de 1999. Pipinotti consegue afetar, causar vertigem no corpo de quem assiste. Não sei se é possível considerar uma transição para as futuras artes interativas?

Mas o que me fez pensar nas amarrações do tempo, na idéia de que nada substui tudo ou na importãncia de trazer os conhecimentos do passado para o presente foi o vídeo Ever is over all (Sempre Está Acima de Tudo), de 1997. É possível ver alguns trechos dos trabalhos no vídeo abaixo.

Vídeo disponível no youtube
Revista Bravo


Saia de casa
Exposições de Pipilotti Rist

Paço das Artes
de 6 out a 6 dez 09

MIS – Museu da Imagem e do Som
de 6 out a 31 jan 2010

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Fotografia e Arte I

Outubro 28, 2009

FOTOGRAFIA E ARTE I

Blog é uma coisa bem esquisita porque quando se lê tudo sai de trás pra frente. Então o que escrevo agora está relacionado com o que está abaixo, diferente de um texto escrito num livro. Num livro o que escrevo aqui teria relação com o que está acima. Faz diferença? Pra quem não se adaptou ao novo recurso, sim. Para mim, não. Porque o que vem antes ou o que vem depois, qualquer que seja a ordem, faz parte do momento que vivo.

Quando fui escrevendo fui trazendo as idéias sem uma ordem. Não sei se isso explica: sou fascinada pelas aventuras da Alice, de Lewis Carrol. Adoro a as idéias e brincadeiras com relação ao tempo, ao espaço e tamanho, etc. Os questionamentos dela. A frase - “já vi muitos gatos sem sorriso. Mas sorriso sem gato! É a coisa mais curiosa que já vi na minha vida.”.

Voltando no tempo.

Falar sobre Fotografia e Arte em 3 partes segmentadas partiu da ida até o Paço das Artes, convite feito pela Gina Dinucci. Conheci a Gina lá na UNESP. Depois conheci seu blog, o Encaixe.

Gina Dinucci
Gina Dinucci “transfigurada”
na obra de Pipilotti Rist
Paço das Artes, 2009
Foto Inês Correa


A idéia do Encaixe é fazer um “jogo” de trabalhos que se encontram e se encaixam. Todo mês um artista é convidado a administrar. Junta-se a outros e amplia “o número de participantes e de alcance do jogo”. No mês de outubro, Mariana Zanetic escolheu o tema Paisagem-ato. Enviei a foto:

Ines Correa_280209_40

Meu vestido na janela dela - 8h26m
Foto Inês Correa



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Fotografia e Arte III - Entre Artes

NADA SUBSTITUI TUDO

FOTOGRAFIA E ARTE II

Leio diversas coisas ao mesmo tempo. Não sei se é bom ou ruim mas assim o faço. Estou lendo A Imagem, de Jacques Aumont, Papirus Editora, 13ª edição. Leitura boa para quem faz da imagem meio de vida. Na pág. 165, Jacques expõe duas direções da fotografia: a de Daguerre (a escrita da luz) e a de Fox Talbot (photogenic drawings). Explica que “o primeiro tipo serviu de imediato para fazer retratos, paisagens, reforçou e depois substituiu a pintura em sua função representativa”. Não sei o que vem depois, ainda não li. É precipitado analisar antes de terminar o livro. Mas refletir faz mal?

Sobre a frase “substituiu a pintura em sua função representativa”. Não acho a palavra substituir adequada para falar de algo que vem depois do que existiu – ou existe (fotografia e pintura). A pintura é uma arte sem substitutos, como outras artes. Cada uma nasce num tempo, só isso. E na pintura inspiram-se novos criadores – ela ainda é admirada e não se desfez. Além de não ser possível esquecer que foi e é o fio condutor de muitos fotógrafos.

Ao fazer uma substituição, tiramos uma coisa para colocar outra em seu lugar. Ou estou errada? Não acho que o novo mata o velho. O que vem depois do que estava acrescenta, coexiste. Mesmo porque não dá pra entender o que está sem saber o que havia…

Como entender a gravura sem pensar na pintura? E a fotografia sem conhecer a gravura? E o cinema pode ser imaginado antes da fotografia? E o vídeo existe sem saber o cinema? E a computação? 2D, 3D? Realidade Virtual e Realidade Aumentada? O que tudo hoje é sem o anterior? E o que será sem o todo?

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Outubro 22, 2009

DANÇA INERENTE


O título acima parte do fato de que a imagem interpretada pela foto abaixo (das meninas na praia) manifesta uma dança que denomino inerente porque parece natural, desenvolvida sem cultura, ao menos, dirigida.

Não sou a pessoa mais indicada para falar de dança. Existem conhecedores do assunto. Estou procurando conhecer mas tenho consciência de que ainda estou dançando bastante.

Desde que o mundo é mundo e bem antes de ser imundo, a dança já fazia parte de diversas culturas: uma manifestação da antiguidade. Ao lado, outras artes: o teatro, a música e a pintura.

A caminho de Angra
Aninha e Júlia
Angra dos Reis, 2009
Foto: Inês Correa

A fotografia é nova, veio bem depois. Posso estar enganada no que vou escrever. Falta conhecimento teórico. O que me envolve, que me instiga na dança é utilizar o próprio corpo como mídia. Assim como o teatro usa a fala e a música (canto), a voz.

A pintura deve ter sido a primeira a utilizar uma mídia (externa). Por favor, se estiver errada e alguém estiver lendo, me ajude. Mas fico pensando que para talhar uma pedra de uma caverna já era preciso uma pedra ou um pequeno pedaço de pau – coisa que é fantástica.

Não pretendo dar mais valor a uma ou outra manifestação artística. Toda mídia, do corpo ou externo a ele, pode transformar-se em arte ou não. Escrevo aqui o que penso. E penso que para mim a dança acrescenta na maneira como olho a vida, assim como a fotografia. Uma complementa a outra.

Outubro 21, 2009

CULTURA ESTÁ PARA ECONOMIA

ASSIM COMO ECONOMIA ESTÁ PARA PÚBLICO

Será que tudo é matemática/lógica pura?

Quando em 87-88 meu pai comprou o primeiro computador, o CP500, para imprimir conectamos a novidade em uma máquina de escrever elétrica (bem sofisticada para a época). Era preciso conhecer uma série de códigos. CTRL+ ALT- ALT+ SHIFT e coisa e tal. No mesmo período eu trabalhava numa empresa onde havia um computador um pouco mais inteligente. Tinha sistema DOS e o editor de texto era um wordstar. Uau! Minha avó diria que era o coqueluche do momento.

De lá pra cá pcs, macs, microsoft, google, twitter, facebook, blá, blá, blá, brigam para concentrar o maior número de pessoas e engordar suas contas bancárias. E que contas! Tanta coisa mudou e tudo o que estiver escrito hoje pode não ser mais o cardápio de amanhã ou do próximo segundo. E vá tentar viver sem tudo isso… Somos consumidores de tecnologia. Poucos conseguem sobreviver sem aderir a toda essa parafernália tecnológica.

Onde está o público?

Mas peraí (uso o termo peraí porque Corpo em Imagem é um blog pessoal, espontâneo, sem amarras). Sentei aqui diante do computador pra escrever sobre o evento que presenciei ontem, o Oxigênio. Lembra quando falei do primeiro encontro aqui? Hoje falarei do segundo. A discussão foi sobre uma questão importante não só para a dança contemporânea mas para todo e qualquer setor: formação de patéia.

Quando se produz alguma coisa é para alguém consumir. Mais ou menos como acontece na cozinha: ninguém prepara um almoço pra jogar no lixo. Alguém vai comer. Mas tem quem goste de jiló e quem não goste de pudim. Em casa toda mãe conhece o gosto do filho e do marido, da mãe e do pai. Mas como saber, num mundo cheio de pessoas diferentes (ainda bem), quem gosta do que? Aonde está o consumidor, o público alvo? Quem é ele, qual o seu perfil ou como ele é de frente mesmo? Como encontrar o dito cujo?

As empresas que trabalham com tecnologia sabem. As emissoras de televisão sabem. Os publicitários sabem. O setor de alimentos, de cosméticos, de eletro-eletrônicos; as redes de supermercado, etc. Todos reconhecem muito bem seu público. Um exemplo fácil de perceber é quando você entra no Pão de Açúcar: iluminado, organizado, limpo, funcionários bem treinados. Daí você vai fazer compras no Extra: mercadoria jogada no chão, não tem produtos de determinadas marcas, desorganizado, filas no caixa. Incrível, não existe a menor preocupação em educar o público? Cada um no seu quadrado?

Produzir para um público pré-definido

O segundo encontro veio na direção do primeiro. Não dá pra tratar de cultura sem economia e não dá para pensar em economia sem pensar em público. Tres oxigenadores trouxeram experiências: Gabriela Gonçalves, artista da dança e produtora cultural, Adriana Grechi, coreógrafa e coordenadora do estúdio Nave e Amaury Cacciacarro Filho, diretor da Fractal Produção Cultural.

OXIGENIO - FORMAÇÃO DE PLATÉIA

Oxigenadores do segundo encontro.
Adriana Grechi, Amaury Cacciacarro,
André Fonseca e Gabriela Gonçalves.
São Paulo, 2009.
Foto: Inês Correa

Adriana e Amaury contaram suas experiências com o Teorema e o Festival Contemporâneo de Dança. Gabriela Gonçalves sugeriu ser importante escolher o local mais apropriado para apresentar um trabalho e a necessidade de se trabalhar os entornos. Discutiu a falta de continuidade dos projetos e a relevância da parceria com a educação. Propôs uma divulgação direcionada e usou o termo “produção sem métodos”.

Crise do sistema de produção de consumo gera crise em todos os setores

O que me fez iniciar o texto citando tecnologia da informação e novos meios foi a frase: “produção sem métodos”. Quando ouvi o termo surgiu na cabeça um sistema não linear. Talvez seja a forma de driblar e remontar todos os raciocínios que estão arraigados a tantos anos na organização econômica vigente. Mas o que é organização linear?

Acho que os jovens que nasceram nos anos 90, os nativos do computador, devem saber lidar melhor com isso. Quando cheguei em casa naquela noite e contei pro meu filho sobre o tipo de conversa que havia surgido no segundo encontro ele me falou que eu deveria assistir The Story of Stuff, com Annie Leonard. Dá pra ver legendado em português ou em inglês direto no site. Pra quem ainda não viu, somente 21 minutos e uma explicação bem didática sobre os produtos de consumo, como são feitos, a crise do sistema como um todo, e os limites do sistema atual, o sistema linear. Nada disso é novo mas é sempre bom termos em mente que há muito para mudar e é preciso refazer, redesenhar. Porque o que está aí faz parte de algo que foi criado ao longo dos anos anteriores e que não funciona mais.

Buscando saídas

"It’s too complicated to" transferir a lógica do que está gerando a crise mundial - que ao que parece tem a ver com produção e consumo em escala exagerada -, para o setor de produção cultural – cujo problema parece ser produzir e não ser consumido. O vídeo mostra a situação nos EUA, um país cujo povo tem febre de consumo. Aqui no sul existe uma tendência de se espelhar no vizinho do norte e de se despir para ele. O estado mórbido da economia já está na mesa de todos nós brasileiros. Mas o que o brasileiro consome? Futebol? Novela?

Talvez seja o caso de tentar fazer alguma analogia, ver o que é possível aproveitar dos erros e vícios que já estão desencadeando consequencias devastadoras. E observar como esse sistema corrosivo trata a arte e todas as manifestações culturais. Procurar novos rumos. Se negar a trabalhar nos formatos e valores atuais para gerar opções novas. Fazer um movimento contrário. Educar o público que está intoxicado com o caos existente e que deve estar por aí consumindo sei lá o que.

Sem uma união no sentido de provocar mudanças qual será a herança que fica? Mas será que cada um de nós está preparado para mudar? Deixar os padrões e preconceitos de lado e colocar a mão na massa de um jeito diferente do que está aí? Criar novas saídas?

Oxigênio - Segundo Encontro.
São Paulo, 2009
Fotos: Inês Correa


Próximo encontro – 03/11 – tema: jornalismo cultural

Outubro 18, 2009

PROFISSÃO: COMANDANTE

RETRATO DAS ESCOLHAS DA VIDA

Minha filha perguntou o que seria de mim “quando crescesse” se não fosse fotógrafa. Olhei por todas as janelas disponíveis e só consegui responder que ainda tinha e tenho muito a aprender pra ser alguma coisa. Mas que fazer o que se tem prazer deveria ser a meta de qualquer pessoa na vida. E prazer para mim é sinônimo de fotografar.

Vista da vigia.
Angra dos Reis - RJ, 2009
Foto: Inês Correa

Na mesma semana outra estória de vida confirmou a questão o que ser e o que não ser. Minha amiga Leda me convidou pra passar o dia no barco que era casa de uma amiga em Angra. Chegando lá fomos recebidas pela comandante Christina Amaral. De longe só dava pra ver uma mulher alegre. De perto, radiante. Dos olhos brilhavam lembranças do mar. Da boca cada coisa contada, uma aventura.

Empresária do setor de alimentação “perdeu o leme” e resolveu “ter o leme” de volta em alto mar, no veleiro Aquarela. Decisão radical. Na vida é preciso coragem. A Chris caprichou. Disse que quando passou dos 30 resolveu fazer o que mais gostava - velejar. Abriu mão de muito e foi viver com pouco, porque dentro de um barco cabe muito pouco. Não tem espaço. Fora dele, um oceano...

Comandante Christina Amaral
Angra dos Reis - RJ, 2009
Foto: Ines Correa

Duas coisas chamaram minha atenção porque tinham relação com alimento, o "primeiro setor" da vida da Chris. Primeiro ela disse que quando atracava havia muitos homens e eles respeitavam o fato dela ser mulher, cuidavam dela até. Quando acordava de manhã, abria a porta do veleiro e do lado de fora tinha um baldo com um peixe fresquinho. Algum pescador havia deixado.

Outra coisa que achei linda foi ela dizer que chegar pe
lo mar em uma cidade era como entrar pela porta da cozinha. Contei pra Neide Rigo, do Come-se, claro. Imagina se ela não ficou interessada em saber quanto custa pra fazer um passeio de veleiro? Afinal, conhecer as cozinhas das cidades...

Mas como sobreviver num mercado abarrotado de gente sem
ter ao menos satisfação? Qual a finalidade? Ganhar dinheiro? Mas dinheiro não se ganha, se faz com trabalho. E trabalho se faz com gosto. Caso contrário, é mau gosto.

Então o que ser quando crescer afinal? Como responder pra um filho? Só consigo voltar a dizer que cada um tem que achar a própria resposta. A da Chris, velejar. E finalizaria: bons ventos. A
Neide, cozinhar e pesquisar sobre alimento. Provavelmente falaria: bom apetite. Eu: fotografar. Então termino desejando a todos: boa luz.

Porto Bracuhy, Angra dos Reis - RJ, 2009
Foto: Ines Correa

Outubro 15, 2009

MOVIMENTO IN BROTO

Movimento in broto é uma ilustração sobre o culto a primavera.

Edição e fotografia: Inês Correa e Neide Rigo
Captação de imagem em vídeo: Neide Rigo

Duração: 2'57"


Outubro 10, 2009

CORPO ORGÂNICO V


Brotos da Primavera
Fotos Inês Correa
São Paulo, 2009

CORPO ORGÂNICO IV


Fotos Inês Correa
São Paulo, 2009

CORPO ORGÂNICO III


Brotos da primavera
Fotos Inês Correa
São Paulo, 2009

COMPOSTO

UM E OUTRO


São Paulo, 2009
Fotografia Inês Correa

Outubro 07, 2009

MOVIMENTO

IDA E VOLTA

Rio de Janeiro, 2009
Fotografia: Ines Correa

Outubro 06, 2009

REVELANDO POSTURAS

Fotografia e Direito Autoral
Dança e sustentabilidade

Nunca fui muito de fazer política. Mas tem quem diga que sempre olhei pra vida como se fosse uma luta de classes. Não tem como negar. Já dentro da sala de aula, na escola, a classe se divide. Há também a diferença de classe econômica, social, cultural e política. Tem gente que luta até porque tem uma cor diferente do outro ou porque acredita em um Deus ou não. No esporte a luta se dá de forma competitiva – ganha quem chega mais rápido, ou quem bate mais forte.

Sobreviver é antes de tudo lutar, pacificamente ou não. E para se fazer uma luta é preciso aliados, grupos pensantes ou ações isoladas.

Porque falar sobre postura política num blog de fotografia e dança que propõe uma leitura do corpo em imagem? Algumas atitudes que aconteceram no início de outubro me levaram a refletir sobre o assunto “postura política” no mercado de trabalho. Uma isolada outra coletiva, na fotografia e na dança respectivamente.

Fotografia e Direito Autoral

O primeiro procedimento politicamente correto li no blog Tramafotografica, da querida Simonetta Persichetti, no dia 2 de outubro. É interessante ler na íntegra. O título do post era Carta aberta de Patrícia Gouveia. Na carta enviada à produção do Prêmio FOTOARTE 2009, Patrícia Gouveia abdica da Menção Honrosa que recebeu porque não concordou com a redação do termo de cessão de direitos de imagem que sofreu uma alteração - duas cláusulas que não constavam do regulamento foram incluídas e elas ferem os direitos autorais dos fotógrafos.

Dança e sustentabilidade

A segunda ação que ocorreu foi o encontro coletivo do Oxigênio, no Desaba, de Thelma Bonavita e Cristian Duarte. A proposta inicial é “fazer um diagnóstico da situação atual da sustentabilidade da produção de dança contemporânea”. A reunião de ontem contou com dois oxigenadores – Helena Katz, professora da PUC-SP e crítica de dança do jornal O Estado de São Paulo e André Fonseca, diretor da Projecta e consultor de planejamento e gestão de ações culturais - Cultura em Pauta.

André Fonseca, apresentou um quadro sério sobre a situação da dança em São Paulo, em termos de números, de público e de modelos de produção. Falou sobre formação de platéia e captação de recursos. Enquanto isso Helena Katz implorou: “hoje não é possível trabalhar cultura sem economia”. Enfatizou a urgência de vincular cultura e economia e começou propondo uma Agenda de Tarefas como ponto de partida para levar a dança contemporânea para o mercado de trabalho.

Precisamos rever nossas posturas.

Placar final da partida: Tempo bom para a fotografia e a dança.



São Paulo, 2009
Fotografias do evento: Inês Correa

FOTOGRAFIA E DANÇA

Na primeira vez que apareceu na minha vida a fotografia foi uma adoração de menina que cresceu e se desfez quando da necessidade de tratar o desenvolvimento sustentável no Litoral Sul Paulista. Quando a televisão me levou a decifrar essas questões um clic não bastava. Precisava ser narrado e descrito, com direito a som e videoclip, entrevistas e idéias que de novas agora circulam velhas mas não resolvidas.

A fotografia chegou e despertou em mim pela segunda vez uma vontade de retratar. Não só mas também descrever. Até quase conseguir interpretar. Com ela apareceu a dança que me fez paralisar e rever a leitura escrita na luz. Revelou o movimento. Nela mesma e no todo.


Maria Clara e Júlia.
São Paulo, 2009.
Foto Inês Correa

Outubro 01, 2009

PROJETO PRIMEIRO PASSO

SESC POMPÉIA

In-cômodo-ser-eu-só-tanta-gente
Estela Lapponi


Restricto
Amanda Villani e Ilana Elkis


Da esq. p/ dir.: Estela Lapponi, Silvia Soter,
Helena Katz, Amanda Villani e Ilana Elkis
Fotografias: Ines Correa
São Paulo, 2009

Setembro 26, 2009

SOBRE TODOS NÓS


Sobre Todos Nós.
Grupo Gestus
São Paulo, 2009
Fotografia: Inês Correa

Sobre Todos Nós revive o universo simbólico da criança e associa aquilo que as crianças de hoje têm em comum: sonhos, desejos, carências.
16 crianças inspiraram este processo de criação. 16 crianças que podem ser qualquer criança. 16 crianças que falam Sobre Todos Nós.

Saia de Casa: dias 26 e 27 de setembro, em São Paulo.
Mais informações clique aqui.

Setembro 24, 2009

QUANTO FOTOGRAFAR


Na hora de entregar as fotos a pessoa olhou para mim e disse: "Cinquenta fotos?". Respondi que sim e pedi desculpas pelo número tão grande porque sabia que deveria representar o acontecimento em um único quadro mas que ali tínhamos um documento interessante. Acrescentei que não tinha conseguido mas que provavelmente se buscássemos saberíamos qual delas era a melhor foto para descrever o acontecimento. Para minha surpresa a pessoa disse: "não, eu acho pouco. Esperava 300 a 400 fotos".


Pavio curto que sou respondi sem pensar, no impulso: "Quatrocentas? Desculpe, mas se você pretendia ter um número tão grande de imagens para definir um evento tão pequeno deveria ter contratado alguém para filmar". E disparei: "Porque fotografamos? Fazemos fotos para recordar, para ter a memória de um fato. Os acontecimentos terminam e a fotografia fica. E o mais importante é a quantidade de informação que uma fotografia contém, não a quantidade de fotos que fazemos de uma mesma situação. Não que isso não seja possível. Podemos documentar e ter como resultado uma série, como temos aqui. Um grupo de cinquenta imagens. Mas num único quadro é possível interpretar um acontecimento. A fotografia captura um instante, põe em evidência um momento, é testemunho...

Bom, vale lembrar que foi o último trabalho que fizemos junto. Mas é gostoso recordar algumas passagens que parece que temos que enfrentar vez ou outra. Uma delas é essa: quando alguém nos contrata para fazer um trabalho e conhece pouco sobre o tipo de pedido que está fazendo. Ou pensa que a melhor forma é com uma determinada arma mas não tem certeza de como aquilo tudo funciona.

Setembro 22, 2009

MOÇAS MADE IN BURI

Recebi mais um imeio da Lourdes, aquela moça que havia me enviado o nome da moça que está enrolando o bolinho, a Bernadete. Nunca tinha pensado como um blog pode se tornar uma novela de uma hora para a outra. Deve ser assim, em doses homeopáticas, um bucadinho de cada vez.

Só tem uma coisa. Apesar de ser caipira também e ter a maior calma do mundo (acho), não aguento esperar o dia seguinte. Então vamos já saber o que estava escrito no imeio da Lourdes sobre a Moça de Buri:

"Eu sou a moça que está ao lado da Bernadete. A que está de cabeça abaixada é a Igina e a de costas, é a Zelinda, todas professoras Made in Buri. Completei quem faltava. Muito obrigada, Buri agradece...."

Moças Made in Buri
da esq. p/ dir.: Igina, Bernadete,
Lourdes (grande colaboraadora do Corpo em Imagem)
e Zelinda (de costas)
Revelando São Paulo - São Paulo, 2009
Foto Inês Correa

A foto ganhou até uma cor e um novo título pra aparecer aqui de novo e trazer as Moças Made in Buri (reparem na camiseta - acho que só da pra ver melhor quando a foto está maior).

Genial, Lourdes. Que delícia ter recebido seus imeios e comentários. Ficaremos em contato, ok? E espero rever vocês no Revelando São Paulo do próximo ano. Ou quem sabe antes, não é mesmo? Obrigada. Abraço, Ines

O NOME DA MOÇA

No dia 17 de setembro postei um retrato - Moça de Buri -, aquela que olhou direto pra minha lente, fez uma pausa e esperou o clic. Mas cometi uma falha. Não coloquei o nome na legenda.

Qual não foi a minha surpresa quando hoje recebi o imeio da Lourdes (agora é você Lourdes que eu não sei de onde é). Ela mostrou que é uma leitora interessada e se encarregou de enviar o nome da moça. Pois é, a Lourdes conhece a Moça de Buri e agora a foto já tem legenda aí embaixo. É o que chamo trabalho de equipe. Valeu Lourdes, obrigada.

Maria Bernadete, professora de Educação Infantil,
enrolando um bolinho de mandioca com carne
Foto: Inês Correa
São Paulo, 2009

Setembro 19, 2009

HENRY CARTIER-BRESSON

FOTÓGRAFO

Exposição de Henry Cartier-Bresson
SESC Pinheiros - São Paulo, 2009
Fotografia: Inês Correa


Não me lembro de ter visto nada parecido. Também não sou a pessoa mais indicada pra dizer se houve ou não algo assim: um lançamento de livro + uma exposição, ou melhor duas, + um filme + muitas palestras e oficinas. Um "combo". Tudo regado ao melhor sabor: Henry Cartier-Bresson.

Nunca fui totalmente fiel a fotografia. Durante bons anos da minha vida tive alguns amantes: desviei meu olhar para o vídeo e a televisão, usei a escrita para materializar meus pensamentos. Mas sempre procurei a fotografia como se fosse "o porto seguro?" e nunca deixei de amá-la. Entretanto esse desvio de conduta poderia ter feito com que eu perdesse alguns acontecimentos, sabe-se lá.

Na dúvida, fui visitar o blog da Simonetta Persichetti, perseguidora e conhecedora fiel da fotografia. Percebi que não estava errada. Ela fala sobre Cartier-Bresson no Tramafotografica, e descreve o evento no SESC Pinheiros com a grandeza que se tomou forma.

Explico. Quarta-feira saí de casa para o que eu achava que seria mais uma exposição de fotografias. Com um diferecial, e que diferencial, fotografias de Cartier-Bresson. Cheguei ao SESC Pinheiros e o estacionamento estava um caos, até aí nada de anormal para um lançamento de livro mais exposição. No saguão de entrada boa bebida e comida. Perto do caixa a "feirinha" com todo aquele material lindo que o SESC vende - livros, bolsas, guarda-chuva, cadernos, etc. Mas estava querendo ver o livro.

A primeira surpresa: O livro HENRY CARTIER-BRESSON - FOTÓGRAFO (tem que ser em caixa alta), da Editora Cosacnaify e Edições SESCSP é simplesmente de tirar o fôlego. Bárbaro. Um super livro compelto - 343 páginas tamanho 29x30 centímetros (fechado), com as fotografias fabulosas em preto e branco de Cartier-Bresson. Uma edição espetacular.

Bom, daquele tamanho, o negócio era deixar pra comprar o livro no final, depois de ver a exposição e beber um pouco e se divertir, trocar boas conversas. Porque o livro é pesado e tem que ser admirado em casa, no sofá, com calma, muita.

A segunda surpresa: um filme também em preto e branco. Vou ter que voltar para vê-lo na íntegra, claro. Pouco tempo, e muita, muita coisa pra ser vista.

A terceira surpresa: uma exposição vasta, distribuída entre o andar térreo e o 2º andar do prédio. Muitas fotos, nunca havia visto uma exposição com tantas fotos e boa iluminação para vê-las, todas fotos do mestre Bresson.

Conseguiu acompanhar tudo? Acha que acabou? Não. Tem mais.

No 3º andar: Bressonianas. O que é isso? Nada mais do que uma coleção de diversos fotógrafos brasileiros que se inspiraram no trabalho de Cartier-Bresson para fazer suas fotos: Cristiano Mascaro, Carlos Moreira, Juan Esteves, Tuca Vieira, Flavio Damm, Orlando Azevedo, Marcelo Buainain. A Simonetta explica de uma maneira muito humorada o título Bressonianas, veja lá.

O que fica disso tudo? A alegria de ver que a fotografia está viva e por muito tempo. Pelo menos até dezembro... (calma, foi só brincadeira). Não percam, tem muito chão até dezembro.

De 17 de setembro a 20 de dezembro 2009
Ter a sex, das 10h30 às 21h30 | sab, dom e fer, das 10h30 às 19h30

Exposição: HENRI CARTIER-BRESSON - FOTÓGRAFO
Térreo e 2º andar
Mostra: BRESSONIANAS
3º andar
SESC Pinheiros
Endereço: Rua Paes Leme, 195
Tel. para informações: 11 3095.9400
Estacionamento com manobrista

Henry Cartier-Bresson, fotógrafo: o livro na Livraria Cultura

PROGRAMAÇÃO

DESVIO PARA O VERMELHO


Aguinaldo Bueno e Carmen Gomide
Desvio para o Vermelho
Foto: Inês Correa
São Paulo, 2009



Apresentações - 2009
Desvio Para o Vermelho (leia mais)

03 de outubro, sábado às 20h00
Galeria Olido – Sala Paissandu – Mostra do Fomento
Av. São João, 473 – República
Entrada Franca
Tel.: (11) 3397-0171

06 de outubro, terça às 21h00
Galeria Vermelho
Rua Minas Gerais, 350 – Consolação
Entrada Franca
Tel.: (11) 3138-1520

15 e 16 de outubro, quinta e sexta às 21h00
Sesc Ipiranga
Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga
R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
Tel.: (11) 3340-2000

22 a 31 de outubro, quinta a sábado às 21h00
SALA CRISANTEMPO
Rua Fidalga, 521 – Vila Madalena
R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
Tel.: (11) 3819-2287

Setembro 18, 2009

DESVIO PARA O VERMELHO


Aguinaldo Bueno e Carmen Gomide
Fotografia: Inês Correa
São Paulo, 2009

Desvio para o vermelho é uma designação da astrofísica e significa um deslocamento em alta velocidade no espaço, que gera alteração de estado do próprio corpo e a criação de outro campo, imperceptível.

A pesquisa transporta o conceito científico para o espaço cênico e busca revelar o dia-a-dia de um casal por meio de deslocamentos.

Desvio para o vermelho

Projeto e concepção: Carmen Gomide
Direção: Rosa Hércoles

Criadores-intérpretes: Aguinaldo Bueno e Carmen Gomide
Música: Lívio Tragtenberg
Núcleo Eu Et Tu - Carmen Gomide

17 a 19/09/09, 20:00 e 20/09/09, 19:00
Galeria Olido - Av. São João, 473. Centro.
Telefone: (11) 3334-0001


(veja programação de mais apresentações aqui)

Setembro 17, 2009

UMA DUPLA DE CRUZEIRO

6

Não dava pra deixar as moças de Cruzeiro de fora. Quando a Neide se aproxima uma cochicha pra outra: "é ela, a Neide Rigo da Revista Caras". Arrumam o avental, limpam as mãos e chegam pro abraço orgulhosas do trabalho que fazem, felizes porque gostam de fazer comida. Mas não deixam os outros clientes de lado, tratam todos da mesma maneira, com o sorriso estampado.

Romilda, da esquerda nos dois retratos, fala que com ela é assim: "não tem arrozinho, só tem arrozão". Vai enchendo todas as cumbucas até a boca pra sair melhor na foto. A especialidade da casa é Arroz de Suã, tem informações no Come-se.

Neide Rigo, Romilda (de costas) e Lúcia

Romilda e Lúcia, de Cruzeiro

Arroz vermelho com Suã
Cruzeiro, Vale do Paraíba
Foto: Inês Correa
São Paulo, 2009

Ainda no Revelando São Paulo - XIII Festival da Cultura Paulista Tradicional.
Parque da Água Branca.

MOÇA DE BURI

5

E continuando... Ainda resultado de imagens feitas lá no Revelando São Paulo, tem caipira que é assim, meio envergonhado e tem caipira que é assado, meio sem vergonha, assanhado, desavergonhado (no melhor dos sentidos). Olha firme, encara, seduz, cheio de alegria.

Como a moça que tá enrolando o bolinho de mandioca com carne, lá de Buri. Tava tão ocupada mas parou pra pose com estilo e eu nem peguei o nome, pode? Falha minha. Mas fica ai o retrato.

Moça de Buri
Foto: Inês Correa
São Paulo, 2009

A PRODUTORA DE FARINHA

4

Tem caipira que é assim como a Maurina. Envergonhado. Não consegue olhar pra gente direito na hora de fazer a foto. E não para pra pose. Continua proseando. O rosto vai ficando vermelho e o sorriso sai espremido.

Ao lado da Maurina tem um tacho com uma tapioca feita de farinha de mandioca que eu e a Neide experimentamos que é boa demais (no link a Neide fala sobre a farinha e comprova que não precisa ir até a Bahia pra comprar uma farinha de Nazaré das boas, aqui em São Paulo, em Jacupiranga, tem gente que faz farinha das de tirar do juízo.

Na foto das crianças de Cidade Ademar, aí abaixo noutro post, o tacho com as tapiocas aparecem.


Maurina Rocha de Souza,
de Jacupiranga - Vale do Ribeira
Foto: Inês Correa
São Paulo, 2009

RETRATO DO KAMBUKIRA

3

Quanto mais caipira, mais o r puxa, a fala é mansa, a pele é dobradinha de tanto tomar sol e o nome deixa lugar pra um apelido. Como aqui o Kambukira, com K, lá de Guararema.

No dicionário Michaelis online econtra-se:

cam.bu.qui.ra
sf (tupi kambukíra). 1 Grelo ou broto tenro da aboboreira. 2 Guisado preparado com carne e flores de abóbora grande.


Denilson José Ferreira, o Kambuquira

Kambuquira e Emília
preparando uma galinhada
Fotos Inês Correa
São Paulo, 2009

Se quiser uma galinhada pra uma festa, informe-se no site do Kambuquira Eventos, que estará disponível em breve.

Onde: Revelando São Paulo - XIII Festival da Cultura Paulista Tradicional. Parque da Água Branca.

RETRATO DA DONA NEIDE

2

Outro retrato é o da Dona Neide. Ela além de linda e de mostrar cada ingrediente, conta pra cada um deles uma história. E a melhor foi a que aconteceu com ela logo que casou, tudo porque queria agradar o marido. Na íntegra a Neide conta, no Come-se.

Neide de Oliveira Franco, de Iporanga
Foto Inês Correa
São Paulo, 2009

Setembro 16, 2009

RETRATO DO INTERIOR

CORPO CAIPIRA 1

Ontem eu fui ao XIII Festival da Cultura Paulista Tradicional - Revelando São Paulo - no Parque da Água Branca. Quem me fez o convite foi a Neide, não a marvada, mas a Neide Rigo do Come-se, que fez um post sobre as duas Neides. Cheguei lá e ela estava com a Veronika Paulics, escritora.

Andamos "pra cachorro" e, como diz o caipira, "jogamos muita
cunversa fora". Caipira é sempre meio pescador, gosta de conversar e contar histórias. Meu sangue caipira se sente em casa.

Já que a idéia do festival é trazer pra São Paulo a cultura tradicional paulista, aproveitei pra trazer pro Corpo em Imagem o retrato do corpo que vive no interior paulista. Colocarei nos próximos posts.

Neste post, a retratada é a Neide, produtora de uma cachaça tão forte que virou Marvada Neide:

Maria Neide de Souza, de Paraibuna

Cachaça Marvada Neide
Fotos Inês Correa
São Paulo, 2009

QUE APRENDE

CORPO DISCENTE, CURIOSO
CORPO COMPOSTO


Foto: Inês Correa
São Paulo, 2009

Crianças da escola EMEF Elza Maria Costa Freire - Cidade Ademar, conhecendo como se faz tapioca.
Onde: Revelando São Paulo -
XIII Festival da Cultura Paulista Tradicional. Parque da Água Branca.

DANÇA DE RUA

CORPO URBANO

Fotografias: Inês Correa
Centro Cultural
São Paulo, 2009

Setembro 12, 2009

CORPORALIDADE

PROJETO TEOREMA

Estúdio Nave, São Paulo
Tema do ano: Coreografia
Curadoria e programação: Fabiana Dultra Brito
Idealização: Adriana Grecchi

Sexta-feira, 11 de setembro
Propositor Joubert Arrais (CE), crítico de dança.


Milene Pimentel, bailarina


Tatiana Melitello, dance maker


Iara Cerqueira, bailarina

Fotos: Inês Correa


Estúdio Nave: Rua Luis Anhaia 47, Vila Madalena
Informações: (11) 3032-3497 ou teorema@estudionave.com
A próxima edição será no dia 9 de outubro. A partir das 21h
Fonte: Idança

Setembro 04, 2009

AS DUAS

CORPO COMPOSTO II


Vale do Anhangabaú
São Paulo, 2009
Fotografia: Inês Correa

POSE

CORPO ADMIRADO II

Praça Ramos de Azevedo
São Paulo, 2009
Fotografia: Inês Correa

BOQUIABERTO

CORPO ADMIRADO I

Praça Ramos de Azevedo
São Paulo, 2009
Foto: Inês Correa

PONTO.

MERCADORIA, CORPO

Praça do Correio
São Paulo, 2009
Fotografia: Inês Correa


A cidade de São Paulo não para. O centro da cidade menos ainda. Tem gente que trabalha de todo jeito. Gente que vende de tudo porque tem quem compra. Gente que pede e que leva sem pedir. O mercado e as mercadorias variam de uma a outra esquina. Tudo se mistura. Se ganha e se perde...

O negócio é não perder o ponto.

Agosto 25, 2009

FESTIVAL

SP PHOTO FEST

Festival Internacional de Fotografia de São Paulo

10 a 13 de setembro, em São Paulo/SP

Local
MIS – Museu da Imagem e do Som
Av. Europa, 158 – São Paulo (SP)

Informações
Fone: (11) 5052-9189
Email: contato@spphotofest.com.br

Agosto 24, 2009

PALESTRA

Fotografia e video no e-commerce

O Coletivo FotoMix 2009 convida para a palestra gratuita "fotografia e video no e-commerce", com o fotógrafo Adriano Adrião.
Número de vagas: 30 vagas
Inscrição: maratonafotomix@gmail.com

Data: 30 de agosto as 15h na Casa das Caldeiras
Av. Francisco Matarazzo, 2.000 - Barra Funda
A palestra acontece no interior da Casa do Eletrecista - Estacionamento no local.

Agosto 19, 2009

DIA DA FOTOGRAFIA

19 DE AGOSTO

Não sei se teria lembrado. Sei que amanhã tenho que acordar a memória porque é dia 20, aniversário do meu filho. Não sou ligada em datas e preciso sempre me esforçar pra lembrar até mesmo quando acordo e é dia do meu aniversário. Isso porque penso sempre que todo dia é dia de tudo e não me fixo em um só dia. E memórias, as que coleciono, são as fotográficas.

Mas Enio Leite, fotógrafo e professor da Focus Escola de Fotografia escreveu um post no Fotocolagem lembrando de hoje, dia 19 de agosto, lá no século XIX, mais precisamente em 1839, quando a fotografia se tornou domínio público em território francês, e o daguerreótipo, desenvolvido por Louis Jacques Daguerre foi apresentado.

Não vou repetir as palavras do Enio porque lá a história já traz a fotografia lembrada e muito bem. Vão até lá ler. Fico por aqui somente tentando imaginar o que foi para o mundo naquela época essa misteriosa invenção, a caixinha preta de surpresas? Imagino os artistas plásticos tremendo de medo por achar que a pintura havia sido superada. E talvez por temerem que não teriam mais como se sustentar. No texto Enio Leite recorda a declaração do pintor Paul Delaroche: "de hoje em diante, a pintura está morta" .

Seguindo a história relatada volto a pensar sobre o medo que tínhamos, temos e teremos talvez sempre do novo e como existe uma necessidade visível de tentar eliminar qualquer manifestação nova apresentada. O medo de perder o que já existe levou naquela época Daguerre a ser condecorado com o título de "Idiota dos Idiotas'', segundo Enio Leite.

Ontem, o medo do artista diante da fotografia.

Hoje, o medo da fotografia digital. O medo das novas tecnologias.

Nos últimos dias, o medo que a população enfrenta diante do H1N1.

Sempre, o medo que algumas pessoas tem da grandeza de outras.

Espero que nesse 19 de agosto cada um de nós acorde e lembre que tem lugar para a fotografia analógica, a fotografia digital, o jornalismo e os blogs, a pintura, a cerâmica e as artes plásticas, o teatro e a dança, a música, a física e química, a matemática, a psicologia. Tem lugar suficiente para caber judeus, muçulmanos, cristãos, budistas. Tem lugar para a esquerda, a direita, os radicais, os moderados.

Mas cada qual tem que deixar o medo de lado para que todo o outro possa deixar fluir o que tem de melhor, o que o faz se sentir melhor.

Sempre cabe mais uma idéia.
Sempre cabe mais um.
Mesmo quando não se usa Rexona.

Beijo a todos e feliz dia da fotografia.

Fonte: Enio Leite

RECEPÇÃO CALOROSA

CORPO IRRACIONAL

São Paulo, 2009
Foto Inês Correa

Agosto 18, 2009

TEMPO

"o tempo é uma dimensão essencial à imagem"

Jacques Aumont

Agosto 16, 2009

MARCA REGISTRADA


CORPO DESENHADO
(retrato tatuado)


Trocar fotografia, enviar foto por imeio, posar com os amigos. A fotografia cada dia mais está inserida na vida das pessoas.

Quando saio de casa meus filhos compartilham a máquina fotográfica e fazem fotos comigo. Trocamos de mão em mão.

Quando chego olham na tela do computador e já começam a perguntar e opinar: faz isso e aquilo... quem é? o que faz? que legal essa foto. não gostei daquela. muda. tira. corta.


Foi assim que a Júlia, minha filha, de 8 anos, depois que
mostrei a foto e falei a ela sobre o Fukushima, escreveu esse trecho para o post. Ela leu a foto da seguinte maneira (já tinha visto o Fukushima em outras fotos):

"sempre que vejo essa marca (a tatuagem), de longe tenho certeza que é ele, o Eduardo Fukushima. Baixinho e grande bailarino, ele é muito legal. E como estuda!".

Eduardo Fukushima, bailarino
São Paulo, 2009
Foto Inês Correa

Agosto 13, 2009

FOTOJORNALISMO

MUDANÇA

Estive agora cedo no blog da Simonetta Persichetti, jornalista e crítica de fotografia, Tramafotografica, e li o post de ontem sobre O Fim do Fotojornalismo. Deixei lá um comentário que transcrevo aqui:

"Outro dia estava no Teatro Municipal, tirei minha câmera da bolsa e comecei a clicar. Veio uma daquelas mocinhas bem treinadas e disse: “aqui não pode fotografar sem permissão”. Olhei pra ela e falei: “só eu não posso porque meu brinquedinho é maior? e todas as pessoas que estão aí fotografando?”. Ela olhou em volta e ficou sem saber o que fazer, se atrapalhou toda. Tinha um montão de gente fotografando.
As máquinas fotográficas estão aos milhares por aí. A internet e o equipamento digital alterar am o fluxo, não digo natural, mas anterior das coisas. Não acredito em fim mas em mudança. E pode ser para melhor ou pior, depende do ponto de vista ou de onde a pessoa está.".

Depois que escrevi lembrei de outra situação. Pedi autorização para fotografar um espetáculo e não consegui. Mesmo sem autorização fui no dia da estréia certa que encontraria diversos colegas também interessados no mesmo fato. Em grupo, unidos das nossas "armas", não haveria impedimentos. Me enganei. Não tinha nenhum outro fotógrafo por lá.

Quando li o artigo da Simonetta imediatamente me lembrei dessa e de muitas outras situações parecidas. Se é o fim do fotojornalismo (nem vou aqui falar do jornalismo), acredito que isso seja a consequência da forma como os profissionais trabalham. O "comércio" criado em torno da profissão matou a busca pelos fatos relevantes.

No Tramafotografica (leiam o post na íntegra lá que é muito interessante), Simonetta publica um email do Eder Chiodetto, curador e crítico de fotografia. Entre outras coisas ele diz:

"É claro que o fotojornalismo não acabou e nunca acabará! O que acabou e segue acabando velozmente é o modelo jornal impresso-funcionário-pautinha na mão e fotógrafo bem mandado obedecendo o sistema, contando histórias que não as que ele queria, reproduzindo o aparato ideológico de uma classe que não é a dele" ...

Quando li isso não deu pra deixar de lembrar do fotógrafo do Zezinho. Sim, da Oficina Foto e Vídeo, da Casa do Zezinho. Ontem numa fila de espera para entrar no Teatro Alfa e ver o Grupo Corpo conheci o Zezinho. Como conheci? Um garoto gritou: "vem cá, deixa eu tirar uma foto com você". Me abraçou, puxou pro lado dele. Fizeram a foto e depois mais uma com um grupo enorme que foi entrando atrás de mim.

Pedi também: "posso fazer uma de vocês?". O garoto ficou me olhando feliz e gritou pra galera:"viu, falei. ela é uma fotógrafa famosa. tava na cara". Eu ri, fiz a foto e fiquei conversando com o Zezinho que havia feito a foto do grupo. O Zezinho faz foto e vídeo e trabalha com a comunidade dele, o grupo dele. E gosta. E vibra. E mostra em suas imagens aquilo que ele acredita.

Foto digital, há alguns anos digo, veio pra todo mundo fazer, é democrático. Blog é tudo de bom. E ainda, não tem censura prévia. O Zezinho pode mostrar o que quer. Eu. A Simonetta. Quem tiver o que falar e quem não tiver. E o jornalismo está sendo provocado. Provado. E o fotojornalismo também. Termina? Não, acho que muda.

Aí galera!
(o garoto, esqueci de perguntar o nome dele,
falha minha, é o do canto superior esquerdo)
Teatro Alfa, São paulo, 2009

Fotografia: Inês Correa